Cinco mitos sobre a questão de Israel

“As guerras dizem que ocorrem por nobres razões: a segurança internacional, a dignidade nacional, a democracia, a liberdade, a ordem, o mandato da civilização ou a vontade de Deus. Nenhuma tem a honestidade de confessar: ‘Eu mato para roubar’”.

– Eduardo Galeano

Conversar sobre Israel e Palestina ultimamente tem sido muito chato. Três semanas de ocupação, 53 soldados israelenses e 1.200 palestinos mortos depois, ainda é difícil participar de uma conversa sobre o assunto sem esbarrar em algum clichê que acaba com a conversa prematuramente. Pior: Ainda é impossível falar sobre o assunto sem ofender alguém.

Enquanto pisamos em ovos para não ofender nossos amigos, enquanto as nações unidas pisam em ovos para não ofender os EUA, a pilha de corpos cresce (Especialmente do lado palestino. Não vou fingir imparcialidade) e questões essenciais não estão sendo discutidas por causa de mitos, tabus ou pré-conceitos.

Sem intenção de esclarecer décadas de conflito em um texto de poucas páginas, procurarei pelo menos enumerar alguns desses mitos na esperança de elevar um pouco o nível do debate.

Abaixo enumero os cinco maiores mitos, e porque os considero falaciosos:

MITO 1 – ISRAEL ESTÁ APENAS REAGINDO A UMA OFENSIVA DO HAMAS. SE O HAMAS PARASSE OS ATAQUES, HAVERIA PAZ NA REGIÃO

O argumento predominante entre os que defendem as ações de Israel em Gaza costuma ser o de que o Governo Israelense quer paz, está apenas defendendo seu povo do Hamas.  “Se o extremismo do Hamas não ameaçasse a população israelense, a paz reinaria.” Alguém provavelmente te encaminhou esse vídeo nas ultimas semanas:

https://www.youtube.com/watch?v=daLF1AFs5AM

Esse argumento exige certa amnésia da parte das pessoas, pois uma rápida busca no Google vai confirmar que, na guerra ou na “paz”, Israel está constantemente se expandindo sobre território palestino.

Israel tem se expandido desde a guerra da independência (1948) . Essa expansão tem se dado alternadamente por meio de ocupações militares (como a que está acontecendo agora) e invasão de colonos (durante os períodos de paz). Com ou sem o pretexto da autodefesa, Israel continua avançando, e basta uma rápida olhada em um mapa para verificar a violência dessa expansão:

MAPA PALESTINA

(clique na imagem para expandir)

Para explicar como funciona a ocupação de território palestino por colonos: Resumidamente, é como se você acordasse um dia e uma imensa porção do terreno de sua casa tivesse sido simplesmente cercada por um fazendeiro estrangeiro, que começou a construir um muro em volta. Só que esse invasor não é considerado um criminoso, ele é protegido pelo exército e ganha automaticamente direito a aquela terra, como se ela nunca tivesse sido sua.

A imensa maioria da expansão de Israel, que você pode ver acima, se deu dessa forma. Não por conflitos militares. Não por reação a um ataque, seja ele do Hamas, do Fatah ou de qualquer célula terrorista independente.

Como essa expansão é extra-oficial, é incentivada e financiada, mas não é organizada pelas autoridades israelenses, o território palestino foi basicamente estilhaçado. A palestina virou uma série de faixas de terra intercaladas por corredores e muros de Israel.

Para visitar sua família em outra região de Gaza, um palestino precisa às vezes passar por dois ou três controles de fronteira. Com os passaportes sempre vencidos (já que eles são concedidos pelo governo israelense), nada resta para um palestino a não ser contar com a boa vontade de alguém do exército, ou então se resignar ao pequeno espaço que lhe foi conferido. Como uma pequena prisão. Como um gueto.

Outra conseqüência desse recorte desordenado de territórios é a interrupção de serviços básicos, como água e eletricidade. Mesmo saneamento básico muitas vezes é negado aos habitantes dessa região, onde se passa fome, se morre de epidemias, onde falta escola, hospital e o mínimo necessário para que o povo palestino viva com dignidade. Não estamos falando de dois países e uma fronteira tensa: Estamos falando de um país e alguns guetos ilhados e separados dentro desse território.

Aos interessados em entender mais sobre o assunto, recomendo como introdução o vídeo abaixo (infelizmente não tem legendas):

https://www.youtube.com/watch?v=eCo4MHM72e8

Ao que tudo indica, o que o governo israelense espera é que o povo palestino aceite passivamente uma expansão que acabará em poucos anos com o que restou de seu território.

Note que sobre essa ótica, as atuais agressões palestinas contra Israel – não estou emitindo juízo de valor aqui – não são ataques contra a cultura judaica ou contra o povo judeu, mas reações a uma lenta e contínua invasão israelense.

É claro que depois de tantos anos, existe anti-semitismo. É claro que existe uma questão religiosa. Mas esse não é o ponto principal. Nunca foi. No fim das contas, o que importa é a terra.

Claro que o governo israelense não vai convencer seu povo a apoiar suas ações se contar essa história. Para que apenas sua versão seja contada, temos cada vez mais visto censura à imprensa e controle da informação que entra e sai daquela região. A reportagem abaixo relaciona diversos casos de censura a jornalistas nas ultimas semanas:

http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/07/jornalistas-gaza/

Na dúvida, meu amigo. Questione.

MITO 2 – ISRAEL É UMA NAÇÃO TIRANA QUE REJEITA UNILATERALMENTE O ISLAMISMO

Esse mito está entrando na moda agora, depois de centenas de fotos de crianças palestinas mortas invadiram a rede e fizeram Israel perder a guerra de “relações públicas”. Muita calma nessa hora. Nada pior para qualquer debate do que maniqueísmos, simplificações superficiais sobre o “bonzinho” e o “malvado” da história.

Justiça seja feita, assim que foi constituída (mais precisamente em 1948), Israel foi atacada violentamente pelos países árabes (Jordânia, Síria, Líbano, Iraque, etc) em seu entorno, que rejeitaram a imposição arbitrária do governo britânico à criação do estado judaico. Foi uma guerra violenta, onde 1% da população do recém constituído país morreu.

Essa ameaça original plantou as sementes do que se tornou hoje o nacionalismo israelense e a cultura da ameaça externa que norteia – e procura justificar – suas ações.

Nos anos seguintes Israel se recusou (na maior parte do tempo) a negociar com a OLP (liderada por Yasser Arafat, filiado ao Fatah) devido aos atos terroristas que ocorriam ocasionalmente, mas isso aparentemente se mostrou um erro. Em 2006, a flor em uma mão e fuzil na outra de Arafat foram substituidos pelo lança torpedos do Hamas e a paz nunca pareceu tão distante para Israel.

O Hamas, diferente do Fatah, não aceita a existencia de dois estados distintos: Ela quer o fim de Israel. Dentro do Hamas existem discursos mais moderados – que clamam pela criação de um estado unico e democrático (o que não seria um má idéia, se eles forem capazes de respeitar isso) – e discursos mais extremos e antissemitas, é claro.

Esses discursos só ganharam voz – e espaço – entre os Palestinos depois de décadas de violência e expansionismo. A história de repete, e da mesma forma que os EUA criaram seus próprios monstros em Bin Laden e Saddan Husseim, o Hamas é o pequeno monstro de Frankenstein criado pela truculência do governo Israelita ao longo das ultimas décadas, pela vista grossa (e até incentivo) feito à expansão dos colonos sobre território palestino. O pequeno grupo extremista se tornou a ultima linha de defesa de um povo sitiado e desesperado.

As lideranças do Hamas já declararam abertamente a intenção de destruir israel, já clamaram pela morte do povo judeu. Isso é fato. É evidente que Israel está colhendo o que plantou nas ultimas décadas, e também é evidente que está conduzindo o problema de forma desastrada hoje, mas não podemos simplesmente ignorar esse contraponto. Para entender um pouco mais o lado israelita, sugiro esses dois excelentes textos sobre o assunto:

http://www.samharris.org/blog/item/why-dont-i-criticize-israel/

http://www.huffingtonpost.com/ali-a-rizvi/picking-a-side-in-israel-palestine_b_5602701.html

Israel tem o poder para matar 100% da população palestina em uma semana, se realmente quiser. Se isso não está sendo feito, é porque não há uma INTENÇÃO de fazê-lo. A liderança do Hamas, por outro lado, já declarou abertamente que faria isso se pudesse, e quando alguém declara suas intenções de cometer genocídio, devemos prestar atenção. Então devemos ser cuidadosos, pois avaliar a questão ignorando o lado de Israel é um erro tão grande quanto defender Israel incondicionalmente.

Acalmados os ânimos, vamos pensar juntos… goste ou não disso, Israel tem que lidar com o Hamas, e não é possível destruí-lo sem destruir Gaza. A cada missil lançado sobre Gaza, o Hamas ganha mais apoio, seu discurso de ódio é mais fortalecido. Imagine-se chegando em casa e descobrindo sua família inteira morta por um bombardeio, enquanto jantava, ou dormia, ou coisa que o valha. Você não se tornaria um extremista da noite para o dia?

Ao menos que a idéia de um estado único (defendida por muitos) vá pra frente, Israel sempre precisará guardar suas fronteiras com atenção, sempre deverá olhar por cima do ombro no que concerne seus vizinhos.

A paz não será obtida por meio de mísseis, a unica alternativa se seguirmos nessa direção será o exterminio completo da população palestina.

Ninguém em sã consciência condenaria Israel por querer proteger suas fronteiras, especialmente com um inimigo como o Hamas batendo na sua porta. Condenar a expansão constante dos colonos israelenses sobre Gaza, condenar o bombardeio incessante que ceifa milhares de vidas inocentes, isso já é outra história.

MITO 3 – EXISTE UM POVO QUE DEVE OCUPAR AQUELA TERRA POR DIREITO HISTÓRICO

Não existe um “dono original” para nenhuma terra do mundo. A humanidade surgiu na África, próxima à região onde hoje fica a Etiópia, e desde então tem se expandido por todo o Globo, ocupando regiões, batalhando entre si por terra. Se regredirmos a história da região onde hoje fica Israel, a Palestina, a Jordânia e o Líbano, poderemos contar centenas e centenas de “povos originais” que poderiam clamar para si o direito por aquela terra.

Filisteus, Turcos otomanos, Árabes, Britânicos, Hebreus, Egípcios e Cruzados vindos da Europa. Dezenas de povos clamaram aquela terra para si ao longo dos últimos séculos. O vídeo abaixo mostra um pouco da complicada história dessa sangrenta região, e revela como qualquer simplificação sobre um “dono por direito” dela é falaciosa:

http://blog.ninapaley.com/2012/10/01/this-land-is-mine/

Discutir quem é o dono original daquela região é inútil. Existem israelenses. Existem palestinos. Ao menos que alguém tenha um plano excelente para criar um novo continente do nada e remover toda uma população para ele, teremos que lidar com esse fato e encontrar um lugar para todas essas pessoas viverem.

Na minha opinião esse lugar deve ser um estado. Único. Laico. Democrático. Isso devia ter sido articulado a 60 anos atrás, e esta a cada dia mais dificil, mas talvez seja a única alternativa a essa altura do campeonato, já que recuar Israel para as fronteiras originais de 1947 parece fora de questão.

MITO 4 – TODO JUDEU APOIA A POLÍTICA DE ISRAEL. QUEM VAI CONTRA ISRAEL FAZ ISSO POR SER ANTISSEMITA.

Poucas coisas matam uma conversa tão rápido quanto uma acusação de racismo. E quando não há argumentos, a forma mais rápida de acabar com uma conversa é desqualificar o interlocutor.

Pra começo de história, a ocupação em Gaza não é consenso nem mesmo entre os israelenses, como às vezes se pensa por aí. Entre a população de Israel, sobretudo entre os jovens, um movimento de resistência cada vez maior tem florescido.

Ainda sem tradução, esse lindo manifesto do grupo “Boycott from Within” deixa claro que muitos israelenses consideram o que seu governo está fazendo um verdadeiro massacre:

http://boycottisrael.info/content/citizens-israel-charge-israel-genocide

Acompanhamos manifestações em Tel Aviv na semana passada que reuniram quase 10.000 pessoas:

Protestos Tel Aviv

http://www.haaretz.com/news/national/1.607311

A todo o momento nascem novos grupos de judeus solidários aos palestinos e contrários à opressão do estado israelense em Gaza, como os Combatentes pela Paz, o Rompendo o Silêncio (formada por ex-soldados israelenses) e o Voz Judaica pela Paz, cuja página do Facebook tem sido uma excelente fonte de informação nas ultimas semanas:

https://www.facebook.com/JewishVoiceforPeace?fref=ts

Em março desse ano um grupo de 60 jovens israelenses se recusou a cumprir o serviço militar obrigatório do país, alegando que “preferem ir para a prisão a servir a um exército que comete crimes”.

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/jovens-de-israel-recusam-exercito-melhor-ir-para-a-prisao,0ef0e57639ca4410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

Recomendo que todos assistam a declaração do grupo “Young Jewish and Proud” onde a juventude israelense faz um apelo aos jovens judeus de todo o mundo para que se orgulhem de sua herança e de sua história, mas que levantem sua voz contra as atrocidades que o governo israelense está cometendo:

https://www.youtube.com/watch?v=BAV-3-AqP9M

Por fim, gostaria de citar o Dr. Norman Finkelstein, judeu, um dos maiores estudiosos na questão palestina, cuja familia toda (inclusive os pais) estiveram em campos de concentração na segunda guerra. Recomendo fortemente essa palestra dele (abaixo o link para a primeira parte, com legendas):

Falar contra a atual política externa de Israel não é racismo, não é rejeição à cultura judaica, ao povo judeu ou coisa que o valha. É uma questão de lógica, e bom senso, e pessoas de qualquer religião ou nacionalidade deveriam poder fazer isso sem sentir que estão ofendendo qualquer um.

Por outro lado, as ações de Israel não podem nunca justificar anti-semitismo ou rejeição ao povo e cultura judaicos. São ações de um governo, movidas por interesses econômicos, e que não devem representar a máxima expressão de um povo nesse mundo. Nunca. Eu temo que as ações de Israel acabem despertando nas pessoas um preconceito destrutivo, da mesma maneira que os EUA de George Bush despertaram no mundo um anti-americanismo que nunca levou a lugar nenhum.

Existe, especialmente na juventude israelense, uma crescente clareza de idéias e intenção de paz. Ainda é uma minoria, é verdade, mas apenas o debate e a reflexão provocarão mudança.  Acredito que nessas pessoas, nesses jovens, reside a maior esperança de uma solução a esse conflito. Israel vai ter que mudar de dentro pra fora.

MITO 5 – ISRAEL NÃO ESTÁ FAZENDO NADA ERRADO. GUERRA É GUERRA E ELES SIMPLESMENTE SE PREPARARAM MELHOR.

De um lado, temos uma nação pequena, porém militarmente poderosa, apoiada pelo país mais rico e militarmente desenvolvido do mundo, dotado de poder de voto na ONU.

Do outro, um território que não é sequer reconhecido como membro das Nações Unidas (apenas estado observador), portanto não pode garantir sua soberania nacional perante os demais países. Tecnicamente, nem mesmo é um país.

É lugar comum afirmar que a única solução possível para o conflito entre Israel e Palestina é um acordo que garanta a soberania dos dois territórios. É lugar comum afirmar que tem gente morrendo dos dois lados, que a guerra prejudica a todos, que a paz é tão urgente e necessária em nome de um lado, quanto do outro.

O problema é que existe uma desproporção tão imensa entre os dois poderes aqui discutidos, que não se pode chamar o que está ocorrendo de guerra, e sim de massacre.

A tabela abaixo relaciona as casualidades civis no conflito entre Israel e Palestina entre 1987 e 2010 e mostrará melhor o que estou dizendo:

CASUALIDADES ISRAEL X PALESTINA

(clique na imagem para expandir)

O Hamas realmente usa a população de escudo, dispara mísseis de escolas, hospitais, etc. Mas bombardear esses hospitais e escolas em retorno não é um caminho razoável, não é uma tática justificável.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/o-ataque-covarde-contra-4-meninos-palestinos-numa-praia-de-gaza.html

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/israel-bombardeia-escola-usada-como-abrigo-da-onu-em-gaza,4ab5c008cfd57410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html

http://www.reuters.com/article/2014/07/30/us-mideast-gaza-idUSKBN0FV04A20140730

Estatistícas mostram que uma criança palestina é morta pelo exército israelense a cada 3 dias nos ultimos 13 anos:

http://www.globalresearch.ca/one-palestinian-child-has-been-killed-by-israel-every-3-days-for-the-past-13-years-2/5389498

É claro que o governo israelense não quer, ativamente, massacrar crianças (algo, diga-se de passagem, que não deve ser um problema para o Hamas, se essas crianças forem judias). Mas é isso que está acontecendo.

E é isso o que acontece sempre que um país poderoso invade um país fraco, e estabelece que a casualidade civil seja um sacrifício aceitável para se atingir certo objetivo. Não há desfecho diferente com esse tipo de pensamento.

Claro que em uma guerra pessoas morrem. É claro que se um lado for mais poderoso, produzirá mais casualidades e sofrerá menos baixas. Mesmo se julgarmos os motivos dos dois lados igualmente justos, mesmo se assumirmos que o Hamas faria pior com Israel se assim pudesse, há um limite para o aceitável, e o governo israelense ultrapassou esse limite.

Só há um fim possível para essa situação: O massacre completo do povo palestino e a resignação dos poucos sobreviventes a uma vida miserável em uma terra ocupada.

 

CONCLUSÃO

Ao atacar os cinco principais mitos sobre a questão do oriente médio, eu procurei contar uma história. A história da criação desastrada de um estado, de uma guerra que tem durado décadas e de um capitulo final, ainda por ser escrito, que se deixada aos cuidados atuais acabará narrando um massacre.

Não o massacre de um povo por outro. O povo israelense, em sua maioria, quer a paz. O povo palestino, em sua maioria, quer a paz também.

Terá sido o massacre perpetrado por um estado (dotado de interesses econômicos geralmente ocultos de seus eleitores), justificado por um trabalho intenso de propaganda, vendido para sua população (e para o mundo) como o único caminho.

A comparação com o nazismo – respeitadas as devidas proporções – é inevitável.

Estive em Auschwitz pessoalmente a oito anos atrás, e até hoje não me recuperei completamente da visão das montanhas de sapatos de judeus exterminados naqueles campos (ainda expostos), nem das marcas de unha nas paredes de uma câmara de gás, que eles mantém conservada por lá.

Gosto de pensar que evoluímos como espécie desde aqueles tempos sombrios, que aprendemos com nossos erros, que estamos avançando. Tenho esperança de ver, ainda em vida, uma conclusão para os palestinos diferente do extermínio, da completa ocupação, do holocausto.

Acredito que a semente da mudança já está plantada, em solo israelense, e que a própria juventude judaica que lá reside irá se erguer contra a tirania de seu governo, contra os fantasmas de seus antepassados, e mudará os rumos dessa história tão terrível. Acredito que eles poderão estender seus braços à oprimida população palestina, para que eles não precisem contar com o Hamas como sua ultima linha de defesa. Para que eles possam, por sua vez, rejeitar o discurso de ódio do Hamas.

Acredito que a memória do que é ser oprimido, que parece ter pulado algumas gerações, voltará a brilhar nessa juventude.

No entanto, isso levará algum tempo. Netanyahu – ou outro governante com o mesmo pensamento que ele – governará Israel por muitos anos ainda, e seu governo poderá marcar a extinção dos palestinos se não houver pressão internacional para que a ocupação seja interrompida AGORA.

Por esse motivo, cabe a nós, católicos, judeus, budistas, ateus, seres humanos enfim, fazer o possível para lançar um pouco de luz, um pouco de razão, a esse debate ainda tão evitado, tão cheio de tabus. A contagem de corpos continua aumentando, e simplesmente não há mais tempo.

 

LEITURA COMPLEMENTAR:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/nao-ha-culpa-coletiva-na-faixa-de-gaza-6583.html

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/11/eduardo-galeano-israel-gaza-direito-de-negar-todos-os-direitos.html

http://www.washingtonpost.com/blogs/worldviews/wp/2014/07/11/the-lopsided-death-tolls-in-israel-palestinian-conflicts/

http://palsolidarity.org/2013/07/interview-with-ilan-pappe-the-zionist-goal-from-the-very-beginning-was-to-have-as-much-as-palestine-as-possible-with-as-few-palestinians-in-it-as-possible/

http://www.chomsky.info/books/dissent01.htm

http://mondoweiss.net/2014/07/israels-actions-unjustified.html

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5 comentários sobre “Cinco mitos sobre a questão de Israel

  1. Alexandre

    A pedido do blogueiro, amigo de longa data, estou tecendo alguns comentários sobre sua manifestação.

    Sobre a questão dos assentamentos, eles nunca foram um obstáculo a paz, uma vez que inúmeras vezes foi negociada a sua retirada em conversações de paz, porém reiteradamente recusada pelos Árabes.

    Se quiser entender mais sobre a posição israelense sobre os assentamentos (e outras questões do conflito), sugiro a leitura do livro que está disponível na íntegra na internet no link abaixo:

    http://www.beth-shalom.com.br/downloads/mitos_e_fatos.pdf

    E se você levar em conta que os Árabes falaram “NÃO” para divisões da Palestina muito maiores do que a atual, então é questionável atribuir culpa a Israel por não contribuir com a paz.

    ESSE VÍDEO MOSTRA O HISTÓRICO DE OFERTAS GENEROSAS FEITAS POR ISRAEL EM TROCA DA PAZ (E NEGADAS PELOS ÁRABES):

    E além disso: GAZA FOI ENTREGUE UNILATERALMENTE AOS PALESTINOS (EM TROCA DE NADA). 8500 Israelenses foram REMOVIDOS de lá. E quando os Palestinos tomaram Gaza, optaram por destruir as construções feitas por Israelenses (Há registros disso, posso mandar a quem interessar).

    Além disso, Israel devolveu a Penínisula do Sinai.

    Talvez esses fatos possam levar a conclusão de que Israel não o maldoso da história, como vem sendo pintado.

    ______________

    E se você achou a condenação da ONU sobre Israel justa, veja o vídeo abaixo, dando destaque para quando ele diz claramente que naquele órgão milhares de ditadores sanguinários já foram aplaudidos de pé:

    ____________

    Quanto a sua afirmativa que Israel estaria fazendo um massacre, é importante ressaltar que a mídia de maneira geral, principalmente a brasileira, tem a postura frequente de fazer suas notícias exclusivamente com base no número de mortes, sem buscar a real causa das mesmas.

    Essas mortes devem ter uma investigação. Isso não é papo de advogado, juiz, promotor, etc.

    Um caso típico foi a brasileira que se automutilou para se dizer vítima de xenofobia na Suíça. No final ela confessou que foi armação, veja abaixo:

    http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/conteudo.phtml?id=955619

    Existem inúmeras cenas de terroristas que alteram as cenas de morte para parecer que não foram eles que realizaram tais ataques. Além disso, eles ensinam suas crianças que se deve morrer por Alá. Isso tudo se encontra em um documentário que sugiro assistir quando houver tempo: https://www.youtube.com/watch?v=AediQLpoGGM

    Além disso, vale ressaltar que os jornalistas não distinguem quem dos mortos eram militantes do Hamas (ou seja, não eram civis) e quem não era.

    E existem provas de que muitos mísseis disparados pelo próprio Hamas atingiram Palestinos (Postagem da página do IDF). Porém, as mortes de Palestinos são sempre atribuídas a Israel, tenha ele cometido ou não. Veja a notícia abaixo que explica quando a quantidade de mortos é utilizada para mascarar a realidade do conflito:

    http://www.timesofisrael.com/when-numbers-in-gaza-masquerade-as-fact/

    Aqui também mostra que os mísseis do Hamas atingem alvos palestinos: https://m.facebook.com/idfonline/photos/a.250335824989295.62131.125249070831305/822327824456756/?type=1&source=57&ref=m_notif&notif_t=likea

    É no mínimo questionável ter a morte de quatro crianças na praia de Gaza em plena guerra. Que pais deixariam seus filhos brincar na praia em meio a uma guerra?

    Se Israel realmente desejasse fazer um genocídio, já teria feito e teria matado muito mais pessoas.

    Israel não ganha nada com as mortes dos palestinos, muito pelo contrário.

    O Hamas, por sua vez, ganha sim com a morte dos palestinos. E isso não sou eu que diz, é o filho do líder do Hamas, que está refugiado nos Estados Unidos, converteu-se ao cristianismo e ajudou durante muito tempo o SHIN-BET, serviço secreto de Israel. Ele escreveu um livro sobre o assunto chamado “Son of Hamas”. Veja a entrevista dele no link abaixo (ele diz textualmente que o Hamas ganha com as mortes em 6:14):

    Por isso é interessante o uso de escudos humanos pelo Hamas, fato confessado por seu líder em entrevista, veja no link abaixo:

    Aqui tem um vídeo de uma mulher no Líbano que já foi utilizada como um escudo humano, porém sobreviveu: https://www.facebook.com/photo.php?v=664968293585936

    Aliás, Israel não é sanguinário nem mesmo com o Hamas, pois a neta do líder do Hamas teve um problema estomacal e foi se tratar no Estado Israelense:

    http://www.conib.org.br/blog/noticias/779/hospital_de_israel_atende_neta_do_lder_supremo_do_hamas

    Irônico, não? Mais irônico é que o Estatuto do Hamas expressamente afirma que “Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer a todos aqueles que existiram anteriormente a ele”. Pergunta: Se o Hamas não reconhece Israel, porque a neta do seu líder vai lá para se tratar?

    E sobre a guerra, Israel liga e manda SMS para os cidadãos de Gaza saírem porque será bombardeada. Nenhum outro país faz isso.

    O programa Fantástico mostrou que um brasileiro que estava em Gaza teve sua casa atingida, mas não foi atingido porque recebeu uma ligação de Israel.

    Mas quando Israel avisa os Palestinos, muitos ficam em nome da causa e outros são colocados a força pelo Hamas (final do video do https://www.youtube.com/watch?v=fI0esAVfw3U).

    Agora pergunto: Dá para falar em Massacre quando uma das partes age em função de aumentar a pressão para o outro lado por meio dos números?

    Como disse Golda Meir: “Nós podemos perdoar os árabes por matarem nossos filhos. Nós não podemos perdoá-los por forçar-nos a matar seus filhos. Nós somente teremos paz com os árabes quando eles amarem seus filhos mais do que nos odeiam.”

    Além disso, Israel teve de entrar por Terra para ocorrer menos morte de pessoas. E lá descobriu inúmeros túneis que o Hamas construiu com o trabalho escravo de 160 crianças, de acordo com fontes palestinas: http://opiniaoenoticia.com.br/noticia/pelo-menos-160-criancas-morreram-cavando-tuneis-para-o-hamas-diz-informe/

    E esses túneis visavam que os terroristas entrassem ilegalmente em cidades de Israel para fazer atentados no ano novo judaico e graças aos céus (ou a quem quer que seja), foram impedidos de fazer tal crueldade.

    Em Israel há um histórico de atentados como no Sbarro, Shopping Dizingov, danceteria em Tel Aviv, etc.

    Isso sem contar que por 3 (três) vezes foram achados mísseis escondidos em escolas de Gaza:(http://www.conib.org.br/blog/noticias/900/onu_encontra_misseis_em_escola_de_gaza_e_condena_veementemente_os_responsaveis)
    http://amigodeisrael.blogspot.com.br/2014/07/os-misseis-vao-escola.html

    E vale lembrar que o Hamas quebrou o cessar fogo por pelo menos duas vezes.

    E sobre a alegação de desproporcionalidade, primeiro pelo exposto acima ficou claro que há uma contagem bem suspeita da quantidade de civis e terroristas, além da causa das mortes, e é bom lembrar que em uma guerra é muito difícil falar em proporcionalidade (especialmente quando um lado sabe que terá mais baixas se continuar e ignora esse fato, ao contrário, prefere a guerra).

    Em conflitos e guerras muito piores, como na Siria, em que se usam armas químicas (http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3382057), há perseguição de cristãos, chacinas, etc.

    No Irã: julgamentos e enforcamentos em praça pública.

    Além de Sudão do Sul, Iraque (mutilação genital em praça pública), República Centro-Africana, Ucrânia, Mali, etc., a mídia fala muito pouco e a maioria das pessoas sequer comenta ou fala em proporcionalidade, sendo que o número de mortos nesses conflitos é muito maior que no conflito Israel-Palestina.

    As fotos dessas tragédias são conferidas aqui: https://www.youtube.com/watch?v=fI0esAVfw3U

    ______________

    Sobre o mito apontado no sentido de que não são todos os Israelenses favoráveis ao que o Governo está fazendo. Realmente isso é verdade.

    Ainda bem!

    Isso significa que Israel está em um democracia, onde pode opinar sem ser morto por isso (ex: Irã – Julgamentos e enforcamentos em praça pública).

    Diferentemente do Hamas, que executa as pessoas sem qualquer julgamento, conforme se vê abaixo (baseado em fontes palestinas):

    http://www.i24news.tv/en/news/international/middle-east/38508-140728-hamas-executes-30-suspected-collaborators-report

    Inclusive, no governo de Israel existem vários árabes, conforme se verifica aqui: https://m.facebook.com/1468200286761279/photos/a.1468230906758217.1073741829.1468200286761279/1469862946595013/?type=1&source=46

    Um deles é do exercito e outro é prefeito. O que acontece com um Israelense em Gaza? É capturado e morto certamente.
    _________________

    Ainda, considerações de um não judeu (como ele mesmo diz): http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2014/07/1489076-david-e-golias.shtml

    _________________

    E por fim, ainda que se está tratando de uma tragédia, vale uma piada para ilustrar a questão:

    “um judeu estava sentado no Starbucks lendo um jornal árabe. Um amigo dele, que estava na mesma loja, notou esse estranho fenômeno.

    Muito chateado, aproximou-se dele e disse: “Moshe, você perdeu seu juízo? Por que você está lendo um jornal árabe?”

    Moshe respondeu: “Eu costumava ler os jornais judaicos, mas o que eu acho? Judeus perseguidos, Israel sendo atacado, os judeus desaparecendo através da assimilação e judeus que vivem na pobreza.

    Então eu mudei para o jornal árabe. Agora, o que eu acho? Judeus são donos de todos os bancos, os judeus controlam a mídia, os judeus são ricos e poderosos, os judeus dominam o mundo.

    A notícia é muito melhor!”

    1. Igor Machado

      Bom dia Alexandre!

      Primeiramente, obrigado por comentar em meu blog. O valor dos debates que são criados por aqui é o real ativo principal desse espaço, os meus textos buscam apenas estimular esses debates. Fico feliz com sua participação.

      Legal você ter mostrado mais o lado Israelense pois é justamente isso que fomenta o debate.

      Primeiramente, acho que tudo o que você postou é verdadeiro. Quase tudo. Acho que o Hamas é uma organização sanguinária, e só um louco apoiaria suas ações. É fato que eles aliciam civis para participar de atentados, é fato que eles usam pessoas como escudo humano (eventualmente, atribuir todas as mortes de civis à esse fato é ridículo), é fato que – caso pudessem – eles exterminariam os israelenses mais furiosamente do que Netanyahu está exterminando os palestinos. No fim das contas, é só uma questão de forças.

      Acho que o importante aqui é estabelecermos desde já a diferença entre Hamas e povo palestino, entre Netanyahu e povo israelense. A grande maioria das pessoas tanto de um lado do muro quanto do outro querem a paz, e é justamente por isso que parar de apoiar a postura de um dos dois governos (seja o Hamas, seja o Netanyahu) pra tentar justificar a guerra é a coisa mais urgente a se fazer nesse momento.

      Sei que tem muito idiota por aí assumindo uma postura antissemita só porque Israel, nesse momento, está fazendo uma cagada, e imagino que deva ser especialmente chato ser judeu nesses ultimos dias. Por isso fiz questão, em meu texto, de reforçar continuamente a diferença entre ser judeu, ser israelense, ser um militar isrtaelense e ser Netanyahu. Vocês não precisam falar por todas as categorias. Elas são dissociáveis.

      Apontar casos específicos, como o de algum evento em que o Hamas atingiu palestinos acidentalmente, ou de alguns poucos casos em que Israel conseguiu avisar de forma bem sucedida a população palestina antes de um bombardeio, não acrescentam muito à discussão pois estão tomando a parte pelo todo pra tentar formar um argumento. Fogo amigo existe em qualquer guerra, lebro de uma vez que os EUA, com toda sua tecnologia militar, bombardearam um veículo britânico no iraque. No momento, TODA Gaza está sendo considerada área de bombardeio, então avisar algumas pessoas de que certa região será atacada é o MINIMO que um país deve fazer ao menos que esteja declaradamente tentando praticar genocídio:

      http://anistia.org.br/direitos-humanos/blog/n%C3%A3o-h%C3%A1-lugar-seguro-em-gaza-%E2%80%93-vida-debaixo-de-bombas-2014-07-29?linkId=9084970

      Você fala sobre Israel ter “cedido” Gaza para os Palestinos, como se fosse dona daquela terra desde sempre. Isso não faz nenhum sentido, você sequer leu a parte do texto sobre esse assunto? Israel não “cedeu” Gaza, Israel recebeu seu país de presente dos Inglesese, em 1947, que delimitaram faixas de terra de forma totalmente arbitrária (mais ou menos como fizeram na África e também não deu em muita coisa boa). Se Israel conquistou a região de Gaza durante a guerra da independência, o que ela fez ao recuar a fronteira depois (ainda que, já não integralmente) é um acordo de paz, necessário pois ela estava cercada por nações árabes.

      As pessoas tem que assumir o fato de que sempre houveram hebreus naquela região, sempre houveram árabes também, e a unica solução é a criação de um estado laico que aceite democraticamente todas as raças e religiões. Israel poderia ser um farol de luz na região, mas escolheu ser um estado etnocrático. Não tem como esssa história acabar bem.

      Enfim, agradeço sua participação e te convido para participar sempre, mas acho que o quanto antes pararmos de fingir que existe um lado bonzinho e um lado malvado, mais ganhamos.

      Não tem bonzinho, não tem malvado. Tem matemática. Em uma progressão geométrica (geralmente as proporções se multiplicam a medida que a guerra cresce) envolvendo os numeros de mortos até agora (52 mortos israelenses, 1200 mortos palestinos). Se essa proporção continuar seguindo a curva estatística da ultima semana (ontem foi o dia mais sanguinário do conflito até o momento, as coisas NÃO estão melhorando) em pouco tempo a população palestina terá sido completamente exterminada. Considerar isso um absurdo inaceitável é o minimo que eu espero de qualquer ser humano nesse mundo.

      Apesar de meu texto assumir claramente uma posição, não ignoro os motivos históricos para Israel se defender, não ignoro a truculência assassina do Hamas, e gostaria que os defensores de Israel pudessem se permitir não ignorar os excessos de Israel, pois só assim qualquer debate sobre o assunto vai chegar em algum lugar.

      Abraço grande velho amigo!

  2. Alexandre

    Vamos lá (continuando o saudável debate):

    Você diz: “Por isso fiz questão, em meu texto, de reforçar continuamente a diferença entre ser judeu, ser israelense, ser um militar isrtaelense e ser Netanyahu. Vocês não precisam falar por todas as categorias. Elas são dissociáveis.”.

    Concordo plenamente que existe uma possibilidade de discordar das atitudes do atual governo mesmo sendo judeu ou israelense, até porque o Knesset, o parlamento de Israel, é composto por 12 partidos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Knesset).

    A questão é que os meios midiáticos e os seus comentaristas tem a tendencia de usar termos como “genocídio” e “massacre” para falar sobre as atitudes de Israel. E isso acaba passando para uma situação bem comum das pessoas tratarem a questão com raiva sobre Israel, que é passada para os judeus (vide a pichação do museu judaico). E não só isso: falar em “massacre” e “genocídio” de Israel baseado exclusivamente em números extremamente contestáveis é condenar o Estado Israelense sem olhar atentamente questões de segurança necessárias. As questões políticas são deixadas de lado quando a mídia foca nas mortes.

    Inclusive, se quiser ver diferentes pontos de vista israelenses sobre a questão te convido a ler dois jornais do país:

    Jersulem Post – http://www.jpost.com/

    Haaretz – http://www.haaretz.com/

    E, porque não, o blog do Israel Defense Forces, onde suas operações são detalhadas:

    http://www.idfblog.com/

    Outra fala sua: “Apontar casos específicos, como o de algum evento em que o Hamas atingiu palestinos acidentalmente, ou de alguns poucos casos em que Israel conseguiu avisar de forma bem sucedida a população palestina antes de um bombardeio, não acrescentam muito à discussão pois estão tomando a parte pelo todo pra tentar formar um argumento.”.

    Não foram apontados casos específicos para justificar todas as mortes que acontecem, é impossível saber, pelo menos no momento, todas as causas de morte.

    Apenas busquei demonstrar que é muito fácil olhar números e prejulgar a situação. Números que inclusive normalmente provém de fontes palestinas (provavelmente apoiadoras ou ameaçadas pelo Hamas), além de não se incluírem na tão falada contagem a quantidade de militantes do grupo terrorista e cooperadores de seu regime (existem videos de pessoas que dizem que fazem o que o Hamas diz porque ele está lutando pela Jihad).

    Como relatei no meu comentário anterior, há uma notícia do Times of Israel que mostra a mascaração dos números de mortes:

    “The Meir Amit Intelligence and Information Center found, on July 23, that 775 people had been killed in Gaza, of whom 229 were militants or terrorists (135 Hamas, 60 Islamic Jihad, 34 from other terror organizations); 267 were civilians; and 279 could not yet be classified.”
    (When numbers in Gaza masquerade as fact | The Times of Israel – http://www.timesofisrael.com/when-numbers-in-gaza-masquerade-as-fact/#ixzz39LA1WfDW )

    Inclusive é relatado que no conflito de 2009, descobriram que 61% dos mortos eram militantes e apenas 25% eram civis (o resto é desconhecido), cuja morte pode ser atribuída tanto a Israel quanto ao Hamas (depende de investigação):

    “In Operation Cast Lead in 2008-9, 1,166 Palestinians were killed. Palestinian human rights organizations, at the time, stated that two-thirds of the dead were civilians. The Israeli army, several months after the close of the operation, presented an inverse figure of 61 percent militants, 25 percent civilians, and the remaining 14 percent – although all male – in the category of unknown.”

    E o artigo termina com a inevitável comparação com a Siria:

    “The, point though, is probably not the numbers, which are clearly capable of masquerading as facts. The point, one might argue, is the world’s fixation on them, even during a week in which, the BBC reported, 1,700 people were killed in Syria, several hundred of them civilians.”

    Caso tenha algum relatório da ONU com a descrição das mortes, peço que me envie.

    Além disso, em nenhum momento a mídia está preocupada com os cidadãos civis de Israel, pois de um lado Israel precisa avisar onde vai atacar. E o Hamas (governante de Gaza) não avisa onde vai atacar e só ataca alvos civis em Israel.

    Peço que leia o relato de uma amiga minha postado no Facebook. Ela mora em Israel e conta como é a situação dos israelenses no momento:

    “Moro em Israel. Ja corri pro bunker mil vezes tendo que tirar meus 2 bebes dos bercos enquanto dormiam a noite. As pressas porque temos um minute e meio. Isso porque estamos numa boa situacao. Sderot, no sul, tem so 15 segundos. NADA! Ja dormem em abrigos pra que nao morram.
    Queria que voce soubesse, que essa Guerra nao se mede por numero de mortos. De um lado, o hamas joga bombas a esmo nos civis em Israel e expoe a sua populacao. Do outro lado, Israel usa de precisao nos bombardeios e protege a sua populacao com todos os recursos. Se a cada bomba jogada pelo Hamas nas ultimas duas semanas, um civil tivesse morrido em Israel, quantos mortos seriam? Mais de 2600!
    (…)
    Ps: Se quiser acompanhar cada queda de missel em Israel, tem um aplicativo chamado RED ALERT, que diz em tempo real as sirenes. Voce vai ver que nao para de tocar. Tenho esse aplicativo ha anos, mesmo antes dessa Guerra, sabe porque? Porque o Hamas atira em Israel ha anos! E a midia se cala, deve ser por isso que o mundo nao entende a proporcao do que esta acontecendo.”

    Agora gostaria de saber das pessoas que se dizem humanistas nessas horas, como elas se sentiriam se todo dia tocassem sirenes (pelo menos seis vezes ao dia) e elas tivessem que levar seus filhos (que mal frequentam escolas e sequer colonias de férias, ou mesmo shoppings, etc.) para abrigos antibombas.

    Veja esse video curto: https://www.youtube.com/watch?v=U0xCgvvskQ8

    15 segundos para salvar sua vida: https://www.youtube.com/watch?v=sJbKJY3fRrE

    Mas para os jornais é muito mais lucrativo falar de mortes.

    E ainda: é preferível ficar falando como um país mata civis ao invés de ressaltar como é bom haver uma nação que aprendeu a proteger seus cidadãos. Como outros países podiam aprender com isso. Não. O número de mortes de supostos civis é mais importante que a proteção de outros civis.

    Inclusive, na página do Wikipedia sobre a lista de conflitos em curso (http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_conflitos_em_curso) mostra números muito mais assustadores na Guerra Civil Síria e no Conflito de Darfur, porém os comentaristas de media não falaram sobre o assunto e ninguém quis boicotar produtos de nenhum país envolvido.

    Você diz: “Fogo amigo existe em qualquer guerra, lebro de uma vez que os EUA, com toda sua tecnologia militar, bombardearam um veículo britânico no iraque. No momento, TODA Gaza está sendo considerada área de bombardeio, então avisar algumas pessoas de que certa região será atacada é o MINIMO que um país deve fazer ao menos que esteja declaradamente tentando praticar genocídio:”

    Se “avisar algumas pessoas de que certa região será atacada é o MINIMO que um país deve fazer”, pergunto se isso acontece em outros conflitos no mundo (se tiver notícia falando que outro país avisou antes de atacar, por favor me envie).

    E, pelo visto, Israel avisa quando vai atacar, mas mesmo assim é taxado de genocida. O Hamas mira civis, não avisa, e é omitido de condenações, tanto na ONU quanto pela Presidente Dilma.

    E a ONU, que normalmente condena Israel, dessa vez resolveu condenar esse país por não dividir seu domo de ferro com seu inimigo Hamas, como se pode ver nas notícias abaixo:

    http://www.washingtontimes.com/news/2014/aug/1/un-condemns-israel-us-not-sharing-iron-dome-hamas/

    http://nation.foxnews.com/2014/08/01/un-condemns-israel-us-not-sharing-iron-dome-hamas

    Parece piada, mas é real. Não sei o que vem na cabeça das pessoas que estão perante a ONU, mas o mínimo de cérebro é capaz de pensar que não é possível dividir seu sistema de defesa com seu inimigo. Ainda mais se ele não reconhece sua existência.

    Essa é a mesma ONU que supostamente conta os números de mortos (acho eu) e, sinceramente, não sei como ela calcula (vide notícia do Times of Israel que citei anteriormente).

    E saiba que muitos dos palestinos atingidos são ajudados por Israel, vide essa notícia de um médico em Israel que cuida de palestinos de Gaza: http://www.sanjuan8.com/mundo/Un-medico-argentino-atiende-nios-palestinos-en-Israel-20140729-0026.html

    Nos seus comentários você prossegue: “Você fala sobre Israel ter ‘cedido’ Gaza para os Palestinos, como se fosse dona daquela terra desde sempre. Isso não faz nenhum sentido, você sequer leu a parte do texto sobre esse assunto? Israel não ‘cedeu’ Gaza, Israel recebeu seu país de presente dos Inglesese, em 1947, que delimitaram faixas de terra de forma totalmente arbitrária (mais ou menos como fizeram na África e também não deu em muita coisa boa). Se Israel conquistou a região de Gaza durante a guerra da independência, o que ela fez ao recuar a fronteira depois (ainda que, já não integralmente) é um acordo de paz, necessário pois ela estava cercada por nações árabes.”

    Meu ponto aqui era provar que sua tese a qual diz que Israel vem se expandindo por meio dos colonos seria um entrave à paz.

    Em Gaza, 8500 “colonos” foram removidos. Então isso não é o real problema, pois houve uma demonstração do Governo Israelense de que poderia entregar as terras aos palestinos. O problema é que o domínio da terra ficou com o Hamas (eleito democraticamente em eleições), e este ataca mísseis em Israel, este cria túneis para realizar atentados.

    E sobre seu comentário no artigo de que “Israel tem se expandido desde a guerra da independência (1948)”, te peço para digitar duas palavras no Google imagens: “arab world”. Veja o mapa do mundo árabe (procure Israel lá). Lembrando que Israel tem o tamanho menor do Estado de Sergipe.

    E leve em conta que o maior número de refugiados habita em Israel (e não nos países árabes).

    E as terras tidas como “expandidas por questões militares” aconteceram porque os países árabes atacaram Israel na Guerra dos Seis Dias e na Guerra do Iom Kipur e este se defendeu.

    Na minha opinião, a questão está no fato de os Árabes serem desunidos (o que inclusive fez com que Israel ganhasse as guerras). Entre os Árabes existem grupos que querem questões diferentes e, inclusive tem problemas em seus países (vide primavera árabe), mas a grande maioria tem o inimigo em comum, que é Israel.

    E Israel serve para eles colocarem seus problemas de lado. Jogar a culpa no outro é mais fácil do que tentar resolver a sua. Vide o IDH desses países.

    No seu artigo você diz ainda:

    “Para visitar sua família em outra região de Gaza, um palestino precisa às vezes passar por dois ou três controles de fronteira. Com os passaportes sempre vencidos (já que eles são concedidos pelo governo israelense), nada resta para um palestino a não ser contar com a boa vontade de alguém do exército, ou então se resignar ao pequeno espaço que lhe foi conferido. Como uma pequena prisão. Como um gueto.”

    Graças ao tão polemico muro construído por Israel, os atentados a bomba cessaram quase totalmente. Atentados que já aconteceram na pizzaria Sbarro (http://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_terrorista_da_pizzaria_Sbarro) e em uma boate em Tel Aviv (http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI478603-EI308,00-Atentado+em+boate+de+Tel+Aviv+mata+e+fere.html).

    Além do atentado no Dizengoff Center, um shopping da região de Tel Aviv (http://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_suicida_do_Dizengoff_Center).

    E permita-me discordar quando você diz no artigo que “o Hamas é o pequeno monstro de Frankenstein criado pela truculência do governo Israelita ao longo das ultimas décadas, pela vista grossa (e até incentivo) feito à expansão dos colonos sobre território palestino. O pequeno grupo extremista se tornou a ultima linha de defesa de um povo sitiado e desesperado”.

    Com todo respeito, acho muito fácil e cômodo dizer que um grupo foi criado pelas consequências de uma política de um país. Aceitar isso seria o equivalente a aceitar que todos são sempre bons, a sociedade que os corrompe (sendo que a sociedade é feita pelos homens). É justificar as ações de um grupo de pessoas culpando os outros.

    Então aquele criminoso que assassina alguém pode dizer que fez porque o governo o levou a fazer isso? O Estado de Direito não deve puní-lo porque ele é uma consequência e não uma causa?

    Não se pode saber que se a política fosse contrária não existiriam tais grupos.

    É fato notório nos jornais que o Hamas tem ajuda financeira de outros países. No momento ele está sendo financiado pelo Catar, que inclusive está sendo investigado por comprar votos para sua eleição na COPA DO MUNDO DE 2022 (pode até perder o direito de sede).

    E o Hamas não é o único. Há inúmeros outros grupos extremistas (Hezbollah, Jihad, Al Qaeda, Isis, Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, etc.).

    Concordo com você que “considerar isso um absurdo inaceitável é o minimo” e que “não tem bonzinho, não tem malvado”, porém o mundo está fechando os olhos para o terrorismo e para grupos extremistas.

    Até países como o Egito e Jordânia estão mais ao lado de Israel no momento, porque não suportam o Hamas.

    Mas a ONU condena Israel veemente. Inclusive por não dividir o Iron Dome (piada, mas não é piada).

    Israel está lutando contra extremistas. O mesmo tipo de extremista capaz de derrubar a torre gêmea e matar mais de 3 mil civis. O mesmo tipo de grupo que fez um atentado a bomba nos trens de Madrid que deixou 191 mortos e 1.858 feridos. O mesmo que fez atentado na instituição judaica AMIA na Argentina em 1994.

    Para finalizar, peço que veja esse canal no youtube: https://www.youtube.com/user/palestinalivree/about

    Esse canal mostra o que os jornalistas árabes pensam acerca da questão. Veja a descrição deles:

    “Palestina livre… de propaganda.

    Nesse canal se pode ver a “causa palestina” pela ótica dos próprios, e não em sua versão romantizada por jornalistas ocidentais — onde valentes ‘crianças’ armadas com ‘paus e pedras’ enfrentam o opressor exército israelense em busca de um estado e autodeterminação.
    Desumanização de judeus, ataques a cristãos, indocrinação de crianças, anti-americanismo, racismo, anti-semitismo, negação do Holocausto, incitação ao genocídio, deslegitimação de Israel, glorificação do terrorismo, apologia da violência contra mulheres e homossexuais… depois de assistir você verá que os moderados são radicais e que os radicais são mais radicais ainda.
    Porque o que importa é o que dizem em árabe.”

    Como a imprensa ajuda o Hamas: http://palestinalivree.blogspot.com.br/2014/08/como-imprensa-ajuda-o-hamas.html?m=1

    Um abraço do seu amigo.

    1. Igor Machado

      Bom dia !!!! Primeiramente, o obrigado MESMO pelos comentários, acho que ler esse texto, com seu contraponto, ficou muito mais interessante para qualquer pessoa que entraram aqui …

      Em vez de responder todos os seus comentários (o que ia levar um tempão e ia manter a conversa em um loop infinito) eu gostaria de te fazer uma pergunta:

      “Como você vê isso tudo o que está acontecendo acabar em paz? Você vê um momento em que a população de Gaza, depois de milhares e milhares de mortos, resolva simplesmente desqualificar o discurso do Hamas e adotar uma postura mais moderada? Desencanando de vingar seus mortos civis (1/3 das casualidades então vai, que seja)?”

      A ocupação de Gaza pode ter todas as justificativas do mundo, a mídia pode estar focando apenas nas mortes palestinas e ignorando o lado israelense (afirmação um pouco duvidosa já que famílias judias, como a Civita, controlam os meios de comunicação no Brasil), o Hamas pode ser mil vezes mais truculento do que qualquer governante israelense jamais foi (nisso concordamos completamente). Mas qual o fim disso?

      Sua comparação da truculência de Israel com a violência urbana no Brasil foi, na verdade, extremamente oportuna.

      Não, o fato de uma pessoa ter virado bandida por causa de injustiça social e pobreza não a inocenta. Mais ignorar essa injustiça social, essa pobreza, na hora de tratar o problema, é justamente a postura conservadora de quem apoia a truculência policial (e critica programas sociais como o bolsa família). É a postura-padrão de nossa sociedade, que claramente fracassou. Matar o bandido de hoje, mas não fazer nada para impedir o bandido de amanhã de surgir, é exatamente o que Israel está fazendo no momento.

      Israel pode até conseguir (duvido) destruir o Hamas, mas nada impedirá um grupo ainda mais extremista, ainda mais vingativo, de emergir das cinzas dessa Palestina sitiada, e jurar vingança contra Israel, de novo, e de novo, em um ciclo de ódio que pode durar mais 100 anos e ceifar mais milhões de vidas.

      Você justifica as ações de Israel hoje, mas eu gostaria que me dissesse qual sua expectativa para o fim desse conflito, se seguirmos nessa linha. Qual resultado, diferente do extermínio de toda a população palestina, pode levar à paz duradoura?

      Um escritor israelense chamado Yachanan Gordon publicou no TIMES de Israel um texto chamado “Quando o genocídio é permitível” onde ele fala justamente isso, ele justifica o genocídio perpetrado em Gaza no momento como a unica alternativa de Israel no momento:

      http://www.vox.com/2014/8/1/5959635/heres-the-full-text-of-the-deleted-time-of-israel-post-backing

      No fim das contas acho que você matou no pau Alexandre … a questão aqui não é a diferença de visões sobre a questão do Oriente Médio em especial, mas a diferença de visões sobre como lidar com o problema de segurança.

      Tem sempre gente que prefere investir em armas, e usar as armas para neutralizar as ameaças à segurança, quando elas aparecerem (e elas sempre vão aparecer). Tem gente que prefere investir na causa do problema, impedindo as ameaças de amanhã (investindo no social, em educação, ou no caso da palestina, reduzindo a represssão, investindo em ajuda humanitária, etc etc). O governo de Israel possui, já faz algum tempo, uma postura conservadora, direitista, que geralmente defende a primeira alternativa.

      Vamos ver como isso vai funcionar, mais uns anos passados…

      Abraços!

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