Sobre a elite “macarronada com uísque” (ou qualquer outro apelido bobinho…)

Diz que adora viajar e de fato viaja todo ano…. para a Disney. Foi uma vez pra Cancum mas não curtiu, tinha muito mexicano.

Diz que brasileiro é tudo conformado, que não faz nada pra mudar o país. Toda vez que tem manifestação chama os participantes de vândalos e torce pra polícia descer a borracha.

Diz que político é tudo corrupto, mas já pagou muita propina pra fiscal e pra policial. Sonega imposto, afinal “vai tudo pro bolso dos corruptos mesmo”, mas nunca deu um real para a caridade.

Diz que o Brasil é o país da impunidade e acha que deveríamos punir os criminosos com mais vigor. Vocifera contra o estado autoritário toda vez que uma empresa paga uma multa por alguma infração cometida. Propina também não é crime, nem sonegação. Crime de verdade é só o de bandido pobre, na rua, segurando uma arma.

Diz que o problema do Brasil é a educação, mas ele mesmo não estuda muito. O único livro que leu desde que pegou o diploma foi uma biografia do Steve Jobs, mas parou na metade porque era muito grande.

Diz que o bolsa família é uma fábrica de vagabundos, e adora encaminhar aquela corrente de e-mail sobre o porteiro que pediu demissão pra viver de bolsa, mas nunca perdeu um minuto tentando descobrir quanto o bolsa família realmente paga para os beneficiados. Assume que “deve ser bastante”.

Diz que o brasileiro é burro e alienado por votar errado, mas nunca pesquisou muito sobre os candidatos que vota. Costuma votar no PSDB só porque eles são oposição aos “malditos comunistas”. Pelo mesmo motivo apoia Cunha, Bolsonaro, Feliciano e qualquer um que se levante contra “medidas de esquerda”, não importa exatamente qual a alternativa apresentada.

Diz que o Brasil é uma porcaria e gostaria de morar na Europa. Mas não quer que o Brasil seja a Europa. Critica qualquer medida que incentive o transporte público, maior distribuição de renda ou valorização da mão de obra (como a ‘lei das domésticas’). No fundo queria que o Brasil fosse o Brasil mesmo, mas a uns 150 anos atrás, quando a “gentinha” conhecia seu lugar.

Diz que defende a liberdade quando protege a “livre iniciativa” do “estado opressor cobrador de impostos”. Esquece disso rapidinho na hora de pregar contra o aborto, as “feminazis”, o casamento gay, a legalização da maconha ou qualquer medida que vai contra os valores dos “homens de bem”.

Diz que gosta de coisas de qualidade, mas não sabe bem o que isso significa. Parte da premissa de que, se é caro, deve ser bom. Torra seu dinheiro na GAP do shopping JK e paga 20 reais na latinha de Skol da Disco, na Vila Olimpia, onde só vai gente “diferenciada”.

Importante mesmo é deixar claro para o mundo que é diferente do “resto do Brasil”.

Em um país que despreza seus professores, seus acadêmicos, seus cientistas sociais e seus artistas, não admira que pertencer à elite econômica brasileira não tenha necessariamente nada a ver com pertencer à elite intelectual.

Parte da “nobreza ultra conservadora” do Brasil se delicia com o apelido que inventaram aos que ousam se levantar a favor de avanços sociais no país : “Esquerda caviar”. Claro, eles não percebem que são tão caricatos que seria quase irresistível inventar um apelido bem bobinho e preconceituoso para eles também, tipo “Elite Macarronada com Uísque”.

Mas quer saber? Deixa pra lá.

O processo histórico sempre foi marcado por gente tentando mudar o mundo e gente tentando manter as coisas como estão. E adivinha só: Com ou sem choro, o mundo nunca parou de mudar. Sobrevive quem se adapta à essas mudanças.  Boa sorte aos conservadores de plantão: Dias difíceis estão por vir…

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7 comentários sobre “Sobre a elite “macarronada com uísque” (ou qualquer outro apelido bobinho…)

    1. Ah sim, não estou falando de toda a elite, estou definindo um perfil BEM ESPECIFICO de pessoa … que infelizmente existe. Mas com certeza não dá pra generalizar ….

  1. Fabíola Lami Ferrari

    Igor, adorando suas palavras e comentârios honestos, lúcidos e responsáveis.
    Continuarei acompanhando seu blog.
    Abraçao,
    Fabíola Ferrari

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