Notas sobre Cuba

 

Estive em Cuba no começo de 2012. Gostaria de dizer que morei lá por alguns meses, que viajei na caçamba de velhos caminhões soviéticos, transportando cana pelo interior de Cuba enquanto conversava com camponeses ainda mais velhos e queimados de sol a respeito de Batista, Castro e a revolução. Certamente seria mais romântico, mas acontece que fui a Cuba como turista mesmo, esticando uma semaninha em Havana e depois visitando uma ou duas praias do Caribe, porque ninguém é de ferro.

Só uma pessoa que já foi para Cuba entende como isso basta para torcer seu cérebro como se torce um pano de chão usado num tanque de lavar roupa.

Não há experiência frívola em Cuba. Mesmo se você tentar se internar em um resort All Included, descendo no aeroporto de Varadero e fugindo direto para ele na hora de ir embora (o que, acreditem, muita gente faz), não há como se esquivar da realidade brutal e absurda que se arremessa na nossa cara assim que pisamos naquela ilha verde e bonita: Não sabemos nada. Somos muito mimados. O simples fato de termos dinheiro para chegar lá e curtir uns dias de férias já denuncia nossa completa ignorância da realidade do mundo, que em Cuba (diferente da maioria de nossos destinos turísticos habituais) não pode ser isolada em alguma periferia, ou escondida atrás de um muro. Bem que tentam.

Geralmente, quando viajamos, tentamos puxar assunto com os taxistas, com as pessoas que nos atendem nos restaurantes. Puxamos conversa, tentamos saber o que eles pensam do prefeito da cidade, sobre como é viver por lá, qual a ultima novidade. Em Cuba, são os locais que vêm falar conosco. O tempo todo. Em dois dias lá, ao menos que você tape os ouvidos e saia correndo cantarolando toda vez que um cubano te abordar, você já terá ouvido umas cinco histórias de vida diferentes, que te deixarão emocionado, bravo, invejoso, compadecido, tudo ao mesmo tempo. Ainda tenho cravado na minha memória o rosto de todos aqueles com quem eu falei ao longo de minha estadia, e tenho certeza de que todo mundo que visitou esse lugar tem os seus.

Claro que cada pessoa tem uma convicção política, um histórico de vida, e processará a experiência de uma forma distinta. Dividi o processo, como foi comigo, em três tópicos, “Choque”, “Reflexão” e “Conclusão”. O ultimo tópico foi nomeado de forma reconhecidamente falaciosa: aviso desde já que não há conclusão definitiva sobre esse assunto tão complicado.

1.    O CHOQUE

Cuba é uma ditadura. Não há como negar isso, e qualquer pessoa que disser o contrário, nunca foi pra lá.

O cubano não pode falar com o turista por muito tempo, ao menos que seu trabalho exija isso. Se uma conversa durar demais, logo o cidadão é abordado por uma autoridade policial, que manda ele “dispersar”. Conversas corriqueiras na rua então, nem pensar. Conhecemos um casal de cubanos em “Paseo del Prado” e conversando com eles, nos sentimos como se estivéssemos comprando drogas ou algo do tipo.

O cubano não pode usar internet, ao menos que seu trabalho exija isso. Cubanos que possuem amigos ou família fora, geralmente usam colegas que trabalham com internet para manter contato. Conhecemos um cubano, que trabalhava na “Heladeria Copélia”, a famosa sorveteria de “Vedado”, que mandava recados para a namorada americana por meio de um amigo que trabalhava com comércio exterior.

O cubano não pode vender seu carro ou casa. Ou mesmo trocar com outra pessoa. Cada bem é fruto de uma distribuição feita pelo estado ainda na época da revolução. Hoje isso começou a ser flexibilizado por Raul Castro, com severas restrições.

O cubano não pode viajar. O governo de Raul está começando a flexibilizar essa regra também, mas na prática ainda não existe turista cubano indo pra fora. Mesmo dentro da própria ilha, existem praias e regiões restritas para o cidadão, onde só podem ir turistas.

Varadero. Exclusiva para turistas.

Um cubano que perca o emprego, não pode simplesmente pleitear um novo emprego em outro lugar. Ele precisa entrar em uma fila. Conhecemos um taxista em nossa viagem através de “Matanzas”, que era chefe de cozinha e perdeu o emprego quando o restaurante onde ele trabalhava fechou. Foi designado pelo governo para atuar como taxista enquanto aguarda em uma fila, para voltar a exercer sua vocação quando chegar a vez dele. A previsão é de cinco anos ou mais.

Cuba é incrivelmente pobre.

O crescimento do turismo nos últimos dez anos criou uma situação ridiculamente chocante e absurda, que será certamente uma das primeiras coisas a ser notadas por turistas que se aventurarem por lá: Duas moedas. Dois pesos e duas medidas. O peso turístico está em paridade com o dólar, enquanto o peso cubano (acessível apenas ao cidadão ou no mercado negro) é muito menos valioso. O que é uma medida até interessante para manter mais dinheiro dentro do país, acaba tendo conseqüências bizarras, já que uma coca cola e um sanduíche em qualquer barzinho de Cuba, comprado por um turista, pagaria mais de um mês de salário de qualquer trabalhador cubano. O turista se torna automaticamente um milionário, uma árvore de dinheiro. Como conter a prostituição nesse país, sendo que duas noites que uma menina cubana passe com um turista paga um ano inteiro de salário dela? Como reverter a realidade bizarra em que uma faxineira de banheiro de bar, que ganha algumas moedas por noite de turistas embriagados, fecha o mês ganhando mais dinheiro do que um médico ou engenheiro?

Havana é linda e fotogênica. Mas está caindo aos pedaços. Mesmo. Vários prédios estão bloqueados por “Perigo de Derrumbe” e vários deveriam estar. Os prédios decadentes de Havana saem lindos nas fotos, mas certamente não são bons lugares para se viver.

As pessoas não passam fome, mas comem muito pouco. Os cupons-alimentação que recebem do governo não são o bastante, dependendo do tamanho da família, e não é raro ser abordado por um cidadão no meio da rua, pedindo uma caixa de leite. Saímos para jantar com aquele casal que conhecemos em “Paseo del Prado” (claro que pagamos a conta), e vimos com os próprios olhos eles apenas beliscarem a comida, guardando mais da metade para levar para os filhos em casa.

Nunca me esquecerei da noite em que eu e minha esposa conhecemos o porteiro do prédio onde estávamos hospedados (uma amável casa de família). Fascinado pelo Brasil, nosso novo amigo era fluente em português e outras duas línguas (algo bem comum por lá). O padrinho de seu filho era Brasileiro e o sonho dele era visitar nosso país, mas ele deixou claro, com todas as letras, que jamais iria realizar o sonho do filho. Estavam presos na ilha. Quando nos despedimos dele e entramos no elevador, olhamos um nos olhos do outro e choramos. Choramos por uns 15 minutos.

Viajar para Cuba, se você mantiver seus olhos abertos e não for um completo idiota, é pesado. E naquele momento, acho que o peso de tudo o que recebemos ao longo dos últimos dias bateu mais forte do que nunca.

2.    A REFLEXÃO

No que concerne quase tudo na vida, o primeiro contato com uma realidade nova muitas vezes não acompanha uma subseqüente reflexão. A velocidade com que as coisas acontecem geralmente faz com que nos agarremos à primeira impressão, e possamos virar a página para o próximo assunto. Normalmente, a primeira impressão é a que fica.

Não quando o assunto é Cuba.

Não podemos deixar isso acontecer nesse caso, simplesmente porque a reflexão que essa pequena ilha caribenha nos instiga, é uma reflexão muito maior, que atinge diversos aspectos de nossa sociedade e da própria raça humana. Sem exageros.

Ao menos que você tenha descoberto algum pacote secreto da CVC para a Coréia do Norte, ou então uma máquina do tempo que te leve de volta para a Russia Stalinista, visitar Cuba pode ser sua ultima chance de conhecer um lugar no mundo que não foi contaminado, ou convertido – para usar uma palavra mais leve – por uma forma ou outra de corporativismo. Que ninguém venha falar da China, com seu totalitarismo de estado ultra-capitalista (que talvez reúna o pior dos dois mundos).

Tentar enxergar além do óbvio (os cubanos tem pouca liberdade e vivem em um estado de pobreza) é mais do que desenvolver uma opinião inusitada sobre um destino exótico para as próximas férias. É iniciar uma reflexão essencial sobre o que deveríamos manter em nossa sociedade atual, e o que deveríamos destruir. Basicamente: o que podemos aprender com uma sociedade que se organizou de uma forma completamente diferente da nossa?

Quem lê apenas a primeira parte do meu texto e depois desiste (porque ele é muito longo, eu sei…eu sei…) certamente fica achando que, além de ser um inferno, Cuba é um péssimo destino turístico, já que deixa seus visitantes chocados e deprimidos com uma realidade cruel e esmagadora. Nada poderia ser mais distante da verdade.

Cuba é um lugar lindo, abençoado com uma beleza além da conta, e a despeito de todas as dificuldades que tem que enfrentar no dia a dia, poucas vezes vi um povo tão feliz quanto o cubano.

Apesar de ganhar pouco, todo cubano tem trabalho, que, aliás, executa apenas algumas vezes por semana, tendo mensalmente tantos dias de folga quanto dias úteis (o que torna a idéia de ‘fim de semana’ comicamente abstrata para muita gente com quem conversei, e descansa dia sim, dia não).

Apesar de comer pouco, todo cubano come. Apesar de morar mal, todo cubano tem casa.

Todo cubano fala pelo menos duas línguas, a maioria fala três. Todo cubano tem acesso à medicina de qualidade, e remédios gratuitos.

As cinco em ponto, todos os dias, o “Malecón” de Havana se enche de cubanos jogando conversa fora e dando risada, enrolando duas horas com seu copinho de rum a tiracolo (porque não tem muito) e tocando algum instrumento.

Cubanos descansam ao entardecer no Malecón

Cubanos descansam ao entardecer no Malecón

Ainda que esse mesmo cubano alegre e sorridente tenha críticas ferrenhas a fazer contra Fidel Castro, assim que se sentir seguro o bastante com você para desabafar a respeito, ele está lá, vivendo a vida, enquanto a imensa massa de gente pobre de nosso ultra-capitalismo está apenas começando uma jornada de 3 horas de baldeações entre ônibus e metrô, para chegar em casa, na periferia da periferia.

Entendem onde eu quero chegar?

Vivemos inevitavelmente presos em nossos próprios parâmetros – nossas referências iniciais – e é muito difícil para a elite brasileira, da qual TODOS NÓS fazemos parte (se você está lendo esse texto 99% de chance de se incluir nesse grupo) enxergar a dura realidade na qual a esmagadora maioria do mundo se encontra. Por trás das lentes de nossas câmeras semi-profissionais da Canon, fotografando as ruas belas e decadentes de Havana (para depois poder contar em alguma mesa de bar na Vila Madalena, pagando 8 reais em um chope, que visitamos um lugar exótico nas ultimas férias), certamente Cuba  parece um lugar ridiculamente precário.

As casas estão desabando? É verdade.

A discrepância monetária entre o peso cubano e o peso turístico gera um abismo bizarro entre o turista e o morador? É verdade.

O cubano comum não pode viajar livremente como turista, e está de certa forma preso dentro do seu próprio país? Ainda é verdade pra quase todo mundo…

Mas antes que comecemos a dissertar sobre as vantagens da democracia maravilhosa na qual nós, civilizados, vivemos, eu peço licença para perguntar:

Você já pensou em passar suas próximas férias em uma favela brasileira? Ou em uma comunidade de garimpeiros no norte de Minas Gerais?

Já visitou a casa da sua faxineira?

Já parou pra comparar o seu poder de consumo com o do gari que limpou a sua rua as 3 da manhã de ontem, no frio, enquanto você dormia enroladinho no seu edredom? Sabe quantas refeições ele pula por mês para economizar dinheiro?

Já perguntou pra um empacotador do Pão de Açúcar se ele tem alguma esperança de um dia viajar pra fora do país?

Antes de ficar chocado e emocionado com o discurso do médico Cubano no plenário, essa semana, sobre as péssimas condições de vida dos médicos que trabalham em Cuba; já se perguntou o quão chocantes seriam as realidades e depoimentos se oferecêssemos a mesma voz aos milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, mesmo depois de todos os bolsas famílias e “milagres econômicos” dos últimos anos?

Somos mimados. Mimados e incapazes de enxergar a realidade da imensa maioria de nossos próprios conterrâneos. Olhamos com pena para o cidadão cubano e somos ao mesmo tempo incapazes de encarar o morador de rua embaixo da ponte por quem passamos na volta pra casa.

Tomemos por exemplo as centenas de populações ribeirinhas que moram no interior da Floresta Amazônica: Vivem sem energia elétrica, sem hospital e sem escola a menos de um dia inteiro de barco. Tomam banho na mesma água onde jogam suas fezes. Sobrevivem com menos de um real por dia. Nascem, crescem e morrem anônimos à nossas vidas protegidas.

Favela ribeirinha brasileira

O que pensariam essas pessoas, assim como os milhares de moradores de rua, os centenas de milhares de favelados, e quer saber? Os milhões de trabalhadores de classe baixa de nosso país, se lhes fosse oferecida a oportunidade de viver em um lugar onde saúde e educação publica funcionam? Onde eles teriam comida e moradia garantidas pelo estado? Mais de duas vezes mais tempo livre, pra passar com suas famílias e seus amigos, em vez de presos em uma lotação entupida de gente?

Fala-se muito da truculência do estado cubano em relação à sua população. Mas alguém que adora falar sobre isso, já visitou uma batida do Bope ou da Rota em um morro? Já testemunhou uma chacina da PM em algum bairro de periferia?

Será que o mesmo cubano que nos vê, bem vestidos e cheios da grana, fotografando seu bairro decadente, invejaria tanto assim nosso estilo de vida se soubesse que sua maior chance (estatisticamente) caso tivesse nascido no Brasil, seria morar em uma favela?

A grande questão que devemos levantar, meus amigos, não é se trocaríamos a nossa vida confortável e privilegiada, pela vida do cubano pobre.

A questão que devemos levantar é: Se vivêssemos como a imensa maioria da população do Brasil (e do mundo) vive, não preferiríamos viver em Cuba?

3.    CONCLUSÂO

 Indo e vindo nessa reflexão complicada a respeito de tudo o que vi quando viajei para Cuba, fiquei empacado nesse texto por quase dois anos. Ainda não possuo todas as respostas, mas escrevi mesmo assim, para instigar um pouco mais de reflexão para aqueles que acham que as possuem.

Não vou nem entrar no mérito de quanto da pobreza cubana (e da truculência do estado) não é uma conseqüência direta do embargo americano, e ao programa de incentivo à dissidência que eles promovem em Miami. Não vou morder a isca fácil de tornar essa reflexão um texto anti-americano, até porque o embargo está chegando ao fim e as relações diplomáticas estão sendo finalmente reestabelecidas.

A verdade é que, politicamente falando, sempre tentamos assumir um lado, o da direita ou a da esquerda. E se somos moderados, logo somos taxados de “em cima do muro”, “alienados”. Estamos sempre buscando uma camisa para vestir.

Visitar Cuba é de certa forma, partir um coração idealista: Não existem utopias.

Voltar de Cuba e encarar com realismo esse lado do mundo é igualmente assombroso: Vivemos em direção a uma distopia.

O preço que pagamos para nossa vida confortável é alto demais. O alto salário que certos cargos garantem em nosso país, só consegue ser tão alto à custa de uma imensa massa que vive uma vida miserável, trabalha muito e ganha pouco, vive mal, come mal, não tem acesso a nada. Essa é a realidade que ignoramos todos os dias, para nossa vida não virar um inferno de culpa.

Nossa democracia e sistema de eleições parece livre, mas na verdade foi a muito tempo assimilado pelas grandes empresas, que com patrocínio à campanhas e lobby se apoderaram da agenda política dos governantes que escolhemos. O liberalismo morreu, foi substituído por um corporativismo canceroso.

Nossos recursos naturais estão se esgotando, as massas miseráveis estão se multiplicando, e nosso sistema continua se baseando em uma máxima irrealista de crescimento indeterminado, em um sistema isolado (o planeta Terra) cujos recursos são mortalmente limitados.

O sistema onde crescemos nos ensinou que é um absurdo querermos comprar banana no supermercado, e só ter maçã. Que é absurdo ter alguém limitando o quanto podemos crescer na carreira, o quanto podemos ganhar, quantos bens podemos acumular.

Vivemos em um sistema que nos ensinou a não olhar nem pra trás (para os milhões de pobres que deixamos no caminho, para os recursos não-renováveis que consumimos) e nem para frente (para a realidade horrível que estamos construindo para nossos netos). Estamos distraídos demais usufruindo de nossa liberdade de consumir e aproveitar a vida.

Incômoda favela crescendo e estragando a vista do morro.

“Incômoda favela crescendo e estragando a vista do morro.”

Certamente Cuba não possui as respostas, e certamente é cheia de defeitos. Defeitos horríveis que eu não faço reservas (como esse texto mostra) na hora de levantar.

Mas devemos ter em mente, também, que o sistema instituído por Fidel Castro há décadas atrás não tem mais do que alguns anos de vida, e antes que ele desapareça de vez, devemos dedicar algum tempo a refletir sobre ele.

Devemos pensar o quanto não estamos a nossa maneira, vivendo em um tipo de ditadura também. Uma ditadura do capital. Que só não nos incomoda tanto (ainda que eu veja cada vez mais e mais amigos deprimidos com seus trabalhos) porque demos a sorte de nascer na posição privilegiada da pirâmide.

Devemos pensar o quanto não podemos aprender – como espécie – na hora de compartilhar um pouco o que temos, em vez de simplesmente fechar os olhos à realidade horrível que nos cerca e cresce ao nosso redor. E quem sabe não reclamar tanto na hora que lançarem o próximo programa social, ou tentarem instaurar um sistema de tributação pesado sobre riqueza extrema (algo que aliás muitas potências capitalistas, como a Alemanha, instituíram a anos).

Devemos ter cuidado na hora de falar de Cuba, porque nem tudo é o que parece. Nem tudo é tão preto no branco. Um pouco menos de corporativismo, e um pouco mais de consciência social que Cuba acabou desenvolvendo na marra, poderia sim fazer muito bem para nosso Brasil tão reacionário e duro com sua população pobre, que ainda é maioria absoluta.

Às vezes é melhor continuar se questionando do que estacionar na primeira resposta.

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29 comentários sobre “Notas sobre Cuba

  1. mariana guerra

    Tenho uma prima que morou anos em Cuba (inclusive casou com um cubano). A opinião dela é semelhante à sua. Ela foi estudar balé e apesar do “perrengue” (lá ela vivia como os cubanos) ficou impressionada com o valor que é dado a educação e a cultura no país.

  2. Rodrigo

    Não sei exatamente qual seria a resposta para a pergunta “Os milhões de trabalhadores de classe baixa de nosso país, se lhes fosse oferecida a oportunidade de viver em um lugar onde saúde e educação publica funcionam?” mas com certeza se a pergunta fosse feita a um Cubano se ele trocaria um lugar onde a saúde e a educação pública funcionam por liberdade de fazer o que quiser da sua vida, tenho certeza que não sobraria muita gente na ilha para conversar com você.

    Quanto a parte “Apesar de comer pouco, todo cubano come. Apesar de morar mal, todo cubano tem casa.” fica muito difícil não lembrar da escravidão onde todo escravo morava mal e comia mal e mais difícil ainda não concluir que a diferença entre escravidão e comunismo são os dias de folga..

    Apesar de discordar de muitas partes e achar certas reflexões equivocadas parabéns pelo texto

    1. Oi Rodrigo, tudo bom?

      A liberdade é sem dúvida nosso bem mais precioso, e eu repudio as medidas autoritárias que o governo cubano assumiu para “proteger a revolução”. Mas é inegável que o que se vê em Cuba deve provocar, além da automática aversão que eu descrevi, uma reflexão sobre o que pode ser melhorado aqui no Brasil também.

      Grande abraço!

      1. Rodrigo

        Devemos apenas tomar cuidado para a reflexão não se tornar o que pode ser piorado aqui no Brasil também… um abraço

  3. eduardo araujo

    quando o Rodrigo disse : com certeza se a pergunta fosse feita a um Cubano se ele trocaria um lugar onde a saúde e a educação pública funcionam por liberdade de fazer o que quiser da sua vida, tenho certeza que não sobraria muita gente na ilha para conversar com você.,,,,,,,, que liberdade é essa q vc se refere, p nós privilegiados talvez, sim temos liberdade, mas p a grande maioria q ganha salário mínimo q mal da p pagar o aluguel do seu barraco,onde mora com mais 5 pessoas nos 2 comÔdos, nunca tem dinheiro p lazer, viajar, estudar em boas escolas, ou plano de saúde nunca foram em bons restaurantes a uma peça de teatro, no máximo a uma seção de cinema,,, isso é liberdade p vc caro Rodrigo…….parabéns pelo texto Igor Machado achar q suas reflexões são equivocadas, é um pensamento elitista e egoísta,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

    1. Eduardo, esse é exatamente meu ponto. Vivemos aqui no Brasil (e nos paises capitalistas de uma maneira geral, em diferentes niveis), sob uma constante promessa de mobilidade social que concede ao pobre uma “ilusão” de liberdade. “Se ele não chegou lá a culpa não é do sistema, o sistemaé perfeito. O pobre que dormiu no ponto, que não se esforçou o bastante”. Admito que a prisão mental as vezes funciona ainda melhor que a fisica. Obrigado por contrbuir! Abraços!!

    2. Rodrigo

      Quando Eduardo diz “p nós privilegiados” peço que não me inclua como privilegiado pois ralei muito para fazer faculdade de engenharia e trabalho muito mais do que prevê a maravilhosa CLT para sustentar minha família portanto antes de me incluir em vosso pensamento elitista saiba que não tenho privilégio algum, apenas luto todos os dias com o suor do meu trabalho por um país diferente e mesmo assim contínuo ajudando os outros e levando a honestidade como meu maior patrimônio (herdado de meu falecido pai). Dizer que sou egoísta por achar as reflexões equivocadas é um juízo seu que prefiro não comentar. Agora voltando a Cuba, tirando a elite vermelha que vive em um conto de fadas o resto da população inteira se encontra em uma situação abaixo da qual você se refere com tantas certezas em seu texto. Como disse anteriormente, de a opção aos cubanos e veremos quanto sobrarão por lá.

      1. Rodrigo

        Igor, apesar de discordar de certos pontos de vista, respeito sua opnião mas também devemos refletir que se o pobre não “chegou lá” talvez em raras (ou nem tantas) exceções, a culpa pode ser de quem realmente não correu atrás ou preferiu jeitos mais fáceis de conseguir as coisas.

      2. eduardo araujo

        Acho q o Rodrigo pensa q só existe miséria em Cuba, q a vida nas favelas brasileiras ou nos sertões do Brasil é muito boa e muito melhor q a miséria Cubana, afinal aqui é o Brasil, e se os cubanos vierem p cá e abandonar sua vida miserável lá, como um toque de magica terão uma vida próspera e farta pois aqui é o Brasil, onde todos vivemos nesse prospero país, concordo com vc Igor, qdo diz: devemos refletir que se o pobre não “chegou lá” talvez em raras (ou nem tantas) exceções, a culpa pode ser de quem realmente não correu atrás ou preferiu jeitos mais fáceis de conseguir as coisas.
        Possivelmente alguns escolheram mas com certeza para a grande maioria como em Cuba tb, quem não chegou lá não foi por culpa ou pq quis, mas sim pelo fato de crescerem em um ambiente desfavorável, e considero Sim, QUEM TEM CURSO SUPERIOR, um privilegiado, tb sou privilegiado por ter tido a oportunidade de estudar, de ter tido uma família estruturada, pq sei q morando em um lar onde existe dificuldades da família prover suas necessidades mais básicas como uma boa alimentação, uma boa escola um sistema de saúde descente, conseguir chegar lá se torna um caminho quase impossível, um verdadeiro martírio, tenho certeza q se tivesse uma vida assim, possivelmente não teria provavelmente conseguido meu diploma, se Cuba só é bom para os privilegiados vermelhos, aqui no Brasil não é diferente, e culpar os pobres q não “se esforçaram” para chegar lá, ao meu ver é uma visão preconceituosa, pois se conhece tanto a vida miserável cubana, me parece q não conhece da mesma forma a realidade das camadas mais baixas da nossa sociedade.

      3. Rodrigo, as vezes é verdade … mas ignorar que quem está no poder sempre fará o possível para se manter é inocência. É conveniente o pensamento meritocrático, ele terceiriza a culpa pela pobreza, pela injustiça social… a culpa não é do sistema, é do pobre, que não se esforçou o bastante. Pra cada zé que começou catando lata na rua e virou diretor de empresa, temos centenas de pessoas que não chegaram lá simplesmente porque o sistema não funciona assim, o sistema exige vencedores e perdedores, e existe uma elite que começa toda corrida na frente (pode não ser seu caso Rodrigo, não conheço sua história de vida, mas admitamos que muita gente ao seu redor se encaixa nessa categoria).

        Enfim, o objetivo não é que todo mundo concorde sempre, mas sim que leve consigo reflexões que mostrem que nem tudo é tão preto e branco quanto costuma pintar a mídia convencional por aí …

    3. Pessoal, eu tambem trabalho bastante (meu blog é mais um hobby que qq outra coisa) mas admito que no geral ninguem batalha tanto quanto as domesticas, os pedreiros e garis, que as vezes acordam as 3 da manha, pegam 4 conducoes, sobpra chegar no trabalho e ralar o dia inteiro sem parar. Se isso fosse sinonimo de sucesso entao viveriamos em uma sociedade bem diferente, mas nao é o caso.

      1. eduardo araujo

        Parabéns, Rodrigo e Igor, pelos textos, na realidade acredito poderíamos ter uma sociedade justa independente do sistema, tanto o comunismo qto o capitalismo se os governante realmente se preocupassem com o povo, oq não é oq acontece em nenhum lugar do mundo, seja no comunismo ou capitalismo eles só se preocupam em preservar e manter o poder para as elites governantes,, poucos países no mundo atingiram maturidade social e se preocupam verdadeiramente com o bem estar da população, como Noruega, Dinamarca, Suíça, Canada e mais alguns..pois quando os governantes realmente se importam com o povo, independente do sistema com certeza haverá mais justiça social….como existe nesses países citados e alguns poucos outros.

    4. Pessoal, eu tambem trabalho bastante (meu blog é mais um hobby que qq outra coisa) mas admito que no geral ninguem batalha tanto quanto as domesticas, os pedreiros e garis, que as vezes acordam as 3 da manha, pegam 4 conducoes, so pra chegar no trabalho e ralar o dia inteiro sem parar. Se isso fosse sinonimo de sucesso entao viveriamos em uma sociedade bem diferente, mas nao é o caso.

      1. Rodrigo

        Antes de mais nada gostaria de deixar bem claro que não acho que o sistema brasileiro seja ótimo e gostaria realmente de ver o fim do abismo social que existe no Brasil, a grande dúvida são os meios para isso. A meritocracia pode não ser perfeito mas é o mais humano, digo humano pois faz parte da natureza do homem (ainda somos animais). Desde os primórdios a lei da natureza dita que os mais fortes e adaptados sobrevivem, talvez no caso dos macacos, os mais fortes tenham mais privilégios se tornando macho alfa e tendo direito a se reproduzir em detrimento aos outros. A competição não foi inventada pelo homem ou por algum sistema, está imposto pela lei da natureza até antes de nós nascermos. Ao longo da história da humanidade as coisas tem se tornado melhor pois o amor ao próximo e compaixão acabam melhorando as coisas para os mais fracos (ou menos adaptados) e realmente espero que as gerações futuras consigam se livrar do egoísmo e as pessoas façam mais pelo próximo, porém basta olhar para um passado recente onde não bastava se trabalhar e prosperar pois se o povoado ao lado tivesse um exército mais forte, você perdia tudo que construiu do dia para a noite. Tudo isso é triste mas é nossa humanidade. Quanto ao fato de que existe uma elite que começa toda corrida na frente, concordo plenamente em termos sociais mas se pensarmos no mais inteligente em relação ao menos inteligente, o que nasce perfeito em relação ao que tenha alguma deficiência ou até mesmo o que nasce em uma família que te ensine a ser trabalhador desde pequeno, todos esses também começam na frente. Jamais seremos iguais, quero uma sociedade onde as oportunidades sejam iguais a todos, isso sim me soa mais justo (também acho isso uma utopia).
        Lembro de um filme “circulo de fogo” assisti a muito tempo atrás e vi recentemente de novo, conta a história de um soldado russo na segunda guerra, ele tem um amigo que é apaixonado por uma mulher que ama esse soldado. No fim do filme uma conversa entre eles é sensacional. O amigo que não tem o amor da mulher reflete que eles lutam por uma sociedade igual mas jamais serão todos iguais, sempre existirão os mais bonitos e os mais feios, os amados e os não amados e depois disso ele se sacrifica tomando um tiro na cabeça par salvar o amigo de um soldado alemão.

        Acho muito invejável Cuba ter investido em educação e saúde quando haviam muitos recursos mas acho que essa foi uma decisão política dos governantes da época e não tem nada a ver com o comunismo em si, poderiam ser ditadores de direita que tivessem tomado esta mesma decisão.

        Trabalho muito em obras na parte de fundação e vejo os trabalhadores fazendo o pior tipo de serviço do mundo, escavando fundações debaixo da terra. Tenho muita pena deles e acho triste ver a condição que eles se submetem porém vejo que no fundo todos estão prosperando, cuidando de suas famílias e não foi uma única vez que conversei sobre a Bahia quando um dizia que iria tirar féria e visitar a terra natal.
        No escritório da empresa que trabalho, tem dois funcionários que moram nos extremos da cidade de São Paulo, levam todo dia 2 horas para vir e mais 2 para voltar, adivinha quem mais sofre quando o Guilherme Boulos e o MTST resolvem reinvindicar os seus direitos.

      2. Luiz Viana

        Caro Igor!
        Nada mais míope que comparar Comunismo com Capitalismo. Se os dois tem algo parecido pelas classes dominantes, se diferem drasticamente já que o capitalismo incentiva a livre iniciativa, a criatividade e a liberdade das pessoas, ao passo que no comunismo é exatamente o contrário. Imaginar uma terceira via alternativa, só com muita educação do povo. Pensar que “obrigar” as pessoas a contribuir com o social é a solução, é o pensamento comunista. Isso tem que advir da conscientização da população através de sua evolução como ser humano e, somente um sistema que permita ao ser humano desenvolver todas as suas capacidades será capaz de prover isso. Apenas usar como desculpa que a pessoa não cresceu por que é pobre é muito comodo, já que existem vários, centenas de milhares de exemplos de sucesso que venceram esse problema. Concordo que o ser humano tem que evoluir muito, mas se você verificar as sociedades mais evoluídas, americana, suiça, germanica, inglesa, todas elas, através do capitalismo, já superaram esse estágio de profunda miséria como temos nos países socialistas como Cuba. Veja a Alemanha e o Japão, foram completamente arrasados durante a segunda guerra. Hoje são grandes potencias sem grandes injustiças sociais, ao passo que URSS não existe mais e a fragmentação deixou vários países com graves problemas sociais, como é o caso de Cuba e do Brasil. Temos portanto que insistir num sistema que funcione, o capitalismo, com um fortíssimo investimento em educação, pois só assim vamos permitir que no futuro, poderemos permitir a todos explorar todas as suas potencialidades.
        Grande abraço.
        Luiz Viana

  4. Rodrigo, obrigado pelos comentários. Admito que não é fácil responder aos questionamentos sobre nossa sociedade …evidentemente temos muita coisa errada, mas qual é a solução? Qual é o caminho correto? É justamente por isso que Cuba intriga. Ela não deve ser almejada como uma utopia e nem repudiada absolutamente como algumas pessoas pensam. Ela deve ser analisada …estudada …. devemos refletir sobre ela com calma e desapaixonadamente.

    Acho que alguma competição sempre deverá existir, se você der uma lida nos meus textos mais antigos tenho um chamado “O Problema do Socialismo” que mostra esse pensamento meu. Não podemos viver em uma sociedade estilo 1984, que force a igualdade absoluta entre todos os indivíduos, pois isso mataria grande parte da criatividade e da paixão de viver das pessoas …

    Mas também acho que nossa sociedade capitalista atual precisa dar uma desacelerada … precisamos de maiores impostos sobre riqueza, de mais investimento no social (como se tem feito recentemente), precisamos que o livre mercado seja restrito em alguns aspectos (sua forma de lidar com a questão do meio ambiente, a especulação financeira desenfreada) …. não acredito em revolução da noite pro dia, mas acredito em evolução, e a evolução sempre deve seguir no sentido de construirmos uma sociedade mais justa, onde essa mobilidade social seja menos engessada e onde as diferenças sociais sejam menos gritantes.

    Acho que quando as pessoas pararam pra realmente ouvir umas às outras percebemos que todos queremos chegar no mesmo lugar … e que não existe um lado totalmente certo ou outro totalmente errado. Fico feliz de conseguir criar esse tipo de espaço de diálogo por aqui (se você ler o PRIMEIRO texto desse blog, verá que essa era minha intenção desde sempre).

    Obrigado a vocês por esse debate, tem sido ótimo. Um grande abraço!

    Igor

  5. Rodrigo

    As soluções realmente não são fáceis de serem encontradas, e no nosso mundo moderno as coisas mudam muito rápido, a solução de hoje pode já não servir amanhã. Por isso que sou totalmente contra qualquer radicalismo em relação a todos esses debates. Concordo plenamente que a melhoria de nossa sociedade não virá com uma revolução do dia para a noite e sim através de uma lenta e difícil evolução por isso penso que idéias muito radicais tendem sempre a estar erradas e só servem para colocar de lados opostos aqueles que buscam no fundo um mesmo objetivo, um Brasil e um mundo melhor!

    Agradeço pelo debate, e assim que tiver tempo lerei mais artigos e se possível ajudarei com minhas opiniões.. um abraço

  6. Lucivan Max

    Parabéns, Ótimo texto!
    Estive em cuba a trabalho que com horas de lazer também e senti esse choque que voce citou e pude constatar também a alegria em coisas simples também. Me partiu o coração a sensação de prisioneiros dentro do próprio país, muitos me confidenciaram o sonho de usar seus conhecimentos em linguas numa viagem e não a serviço do gov.
    Da turma que foram comigo, muitos voltaram apenas com a roupa do corpo, pois fizemos doações, ouvi relatos que “ou compramos comida, ou compramos roupa”.
    Abraço

  7. Luiz Viana

    Gostei muito de sua analise sobre Cuba e os efeitos do comunismo. Mas sua conclusão e completamente míope e totalmente dissociada da realidade.
    Lógico que o sistema capitalista nao e perfeito. Vem da essência do ser humano. Nao somos perfeitos. Estamos sempre na busca da mulher perfeita, do marido, do time, do político e do sistema de governo perfeitos. Eles nao existem. E da nossa essência. Mas se todos os sistemas políticos testados ao longo da historia da humanidade o comunismo se mostrou o pior, pois tira a criatividade e a iniciativa do ser humano para ser massa de manobra de uns poucos espertos que assumem o poder. Assim e em Cuba. Assim foi na URSS que antes do comunismo era uma das grandes potências européias. Em 1919 veio o comunismo, sofreu com a segunda guerra, mas depois se apossou de vários países com vastas riquezas naturais como Polônia, Hungria, Checoslováquia, etc… que juntos com as riquezas russas tornara a URSS uma super potência. Quem se deu bem…. Os Stalin, Brejnev, Kruchev da vida as custas da subjugação do povo. Essa superpotência nao existe mais acabou como um castelo de areia em função do sistema de governo. Cuba esta indo para o mesmo caminho. Na Venezuela que do ponto de vista de riqueza natural per capita e mais rica que o Brasil, o povo nao tem o que comer, e sao so 24 anos de comunismo.
    Parece que você prefere meia dúzia de ricos e os outros todos miseraveis do que um sistema que permita que grande parte tenha oportunidades de utilizar suas potencialidades.
    Nao concordo também quando você diz que o povo brasileiro nao e solidário. E so vc reparar quando acontece um acidente, quantas pessoas anônimas param para ajudar. Quantas creches e orfanatos sao sustentados por esses insensíveis que vc diz que nos somos. Sim tem muito, muito mesmo a fazer, mas so com um sistema correto e com governantes do bem que vamos reduzir essas desigualdades.
    Nao concordo também que o pobre nao tem oportunidade. E mais difícil. Eu estudei em escola publica, trabalhava das 7 da manha as 6 da tarde e fazia faculdade a noite. Quando dava comia um cachorro quente por dia. Pegava esses ônibus lotados e etc… Nos finais de semana enquanto meus amigos iam para a balada eu fazia cursos de extensão. Depois de formado trabalhei em duas multinacionais, numa delas fui presidente. Imagina se eu morasse em Cuba. Foi difícil, muito difícil, mas como eu milhares de brasileiros também conseguiram. Lógico que a maioria nao. Mas dizer que e so por falta de oportunidade ou culpar o sistema e uma analise muito simplista.
    Para finalizar, sugiro que em suas próximas ferias você vá a Dubai. Uma ditadura Capitalista. Uma cultura bem diferente da nossa. Ai vc poderá comparar o efeito que o sistema comunista causa na sociedade comparado com o capitalista. E sao duas ditaduras… Compare com a Venezuela também…
    Espero que o Brasil nunca, nunca mesmo tenha que passar por uma experiência dessas…
    Abraços.
    Luiz Viana

    1. Bom dia Luiz, tudo bom?

      Primeiramente, obrigado pelos comentários! Espero que esteja gostando do site!!!

      Como você mesmo pôde averiguar na leitura de meu texto, não sou favorável à ditadura castrista e considero todo tipo de autoritarismo nocivo, infelizmente igualdade não pode ser obtida com sacrifício de liberdade.

      Entretanto eu acho que o grande problema do capitalismo, em contrapartida, é que a nossa visão limitada da realidade (limitada ao nosso meio de convívio e à nossa experiência pessoal) cria a ilusão de que ele está funcionando, quando não está.

      Em algum momento você me disse: “Parece que você prefere meia dúzia de ricos e os outros todos miseraveis do que um sistema que permita que grande parte tenha oportunidades de utilizar suas potencialidades.”. Claro que não prefiro isso, hehehe, e nem você prefere, é óbvio. Mas sinceramente, não acho que grande parte das pessoas tenha oportunidade de utilizar suas potencialidades em nosso sistema atual, e não vejo uma realidade muito diferente de “meia duzia de ricos e outros todos miseráveis” em nosso país. Claro, olhando pela janela, nao parece que as coisas estejam tão ruins assim … mas o fato é que só conseguimos enxergar uma parcela pequena do todo. Pra começar, os miseráveis de nosso país estão isolados, estão marginalizados, moram longe de nossas casas em bairros melhores. Além disso, existem países INTEIROS mergulhados na miséria “pagando a conta” dos países com mais conforto e qualidade de vida. Quando compramos um iphone raramente pensamos nas crianças semi-escravas da China montando as peças que compoe o aparelho, quando compramos uma camisa não pensamos que ela pode ter sido feita por um escravo boliviano no bom retiro.

      Como eu disse no texto, eu não proponho como alternativa ao capitalismo um comunismo à moda soviética, teria que ser louco para fazer isso. Mas eu alerto sobre o perigo de acharmos que nosso sistema “está funcionando” e por medo do fantasma da russia comunista, ignorar certas medidas de esquerda que poderiam criar um sistema melhor do que temos hoje…. talvez nem capitalismo nem comunismo, talvez algo novo …. algo melhor … porque na minha visão NENHUM DOS DOIS funcionou…

      Só quis levantar essa reflexão porque é muito fácil se deixar levar pelo senso comum de “socialismo falhou, o capitalismo pode não ser perfeito mas está funcionando” e não enxergar a coisa toda …

      Obrigado pela participação! Abraços!

      1. eduardo

        excelente texto Igor, vc descreve exatamente o q sinto, só quem defende o capitalismo, são as pessoas privilegiadas no nosso sistema q desconhecem a realidade de grande parte do nosso país, concordo plenamente com vc qdo diz q precisamos criar algo novo, visto q tanto o capitalismo como o comunismo são sistemas apesar de tantas diferenças acabam parecidos pois nos dois os líderes e poderosos a elite da sociedade exploram o resto, os dois sistemas com certeza não satisfaz os anseios da sociedade como um todo, e não apenas da elite vigente, um grande abraço….

      2. Penso isso Eduardo. Não vejo sentido na defesa de uma revolução socialista hoje em dia, seria absurdo e temos dezenas de exemplos mal-sucedidos em nossa história. Mas também não vejo sentido na defesa incondicional do nosso sistema atual, usando como contraponto o Stalinismo ou Maoismo, como se essa fosse a unica alternativa.

        Me parece hoje que o melhor caminho é nosso sistema ir adotando cada vez mais medidas regulatórias de concentração de renda (para reduzir a desigualdade) enquanto paralelamente fortalece seus mecanismos democráticos, para assegurar ao povo um poder por COLETIVIDADE e não por CONCENTRAÇÃO DE RENDA como é hoje. Quem sabe, daqui a muitas e muitas décadas, não nasceria então uma democracia direta, participativa, com o estado regulando apenas a concentração de renda, segurança, justiça e alguns serviços essenciais?

        A humanidade é incrivelmente jovem nesse planeta, e é engraçado como todo mundo fala como se os modelos opostos e definitivos de organização social tivessem sido descobertos no ultimo século, e a partir daí nada mais novo é criado sob o Sol … me parece um pouco de miopia …

        Ainda estamos evoluindo … e para isso precisamos debater e debater e debater!

        Obrigado pela participação! Forte abraço!

  8. durodriguez

    “Nossos recursos naturais estão se esgotando, as massas miseráveis estão se multiplicando, e nosso sistema continua se baseando em uma máxima irrealista de crescimento indeterminado, em um sistema isolado (o planeta Terra) cujos recursos são mortalmente limitados.”

    Olá Igor,

    Adorei ver esse comentário sobre os limites do crescimento e do planeta. Me parece que você já leu algo sobre a economia ecológica, não? Herman Daly? Donella Meadows?

    Estive em Cuba em abril, como parte de um curso de pós-graduação através do Gund Institute for Ecological Economics. Achei o seu texto sensacional! As descrições e reflexões são excellentes, e batem muito com o que pesei durante e depois da minha viagem. Mas você articulou de uma forma que eu ainda não tinha conseguido fazer. Obrigado!

    -Eduardo

    1. Eduardo, bom dia!!

      Fico feliz de você ter reconhecido no texto alguns principios de economia ecológica no meu texto, eu sou um grande entusiasta desse campo de estudo, e acho que a economia tradicional é um modelo que se tornou um fim em si mesmo e perdeu o contato com a realidade de nosso planeta. Sugiro a leitura do “BELOMONTE: UM DESABAFO”, texto aqui do mesmo blog.

      Abraços e obrigado pela leitura!!!

      Igor

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